O Homem Que Inventou o Século XX
"O presente é deles; o futuro, pelo qual eu realmente trabalhei, é meu. Contudo, o futuro que idealizei permanece trancado dentro de mim."
Revolucionou o mundo com o sistema de corrente alternada (CA), lançando as bases para a eletricidade moderna.
No quarto 3327, escuro e cheio de sombras, do Hotel New Yorker, um homem alto e macilento, de olhar penetrante, estava sentado à janela, observando a cidade que ajudara a iluminar. Nikola Tesla, o homem que domara os relâmpagos e dera ao mundo a corrente alternada, era agora um fantasma na engrenagem do século XX. Lá fora, as luzes de néon e o zumbido das linhas de energia testemunhavam o seu génio; porém, lá dentro, ouvia-se apenas o suave arrulhar dos pombos e o silêncio de um homem que sobrevivera à sua própria era. A sua história é a de uma mente brilhante que viu o futuro com tanta clareza que se esqueceu de assegurar o seu lugar no presente.
A jornada de Tesla foi marcada por uma luta titânica contra Thomas Edison para provar que a corrente alternada (CA) era a forma superior de fornecer energia a uma nação. Ele venceu essa guerra, iluminando a Feira Mundial de Chicago em 1893 e dominando a força das Cataratas do Niágara. Mas Tesla nunca foi um homem de negócios; ele era um sonhador. Num momento de lendário altruísmo, rasgou o seu contrato de royalties com George Westinghouse para salvar a empresa da falência. Esse único ato de generosidade custou-lhe milhares de milhões de dólares, mas para Tesla, a luz do progresso era muito mais importante do que o peso do ouro nos bolsos.
A sua maior ambição chamava-se Wardenclyffe — uma torre gigantesca concebida para fornecer energia gratuita e sem fios a todo o mundo. Ele imaginou um planeta interligado por fios invisíveis de energia e informação. Contudo, quando os seus financiadores, liderados por J.P. Morgan, perceberam que era impossível aplicar um "contador" à energia gratuita, retiraram o seu apoio. O projeto ruiu e, com ele, o espírito de Tesla.
Com o passar dos anos, Tesla retirou-se para um mundo de sua autoria, uma existência solitária governada por rotinas rígidas e excentricidades crescentes. Ficou obcecado com o número três, recusando-se a ficar em quartos de hotel cujos números não fossem divisíveis por ele e exigindo dezoito guardanapos em todas as refeições. Afirmou ter inventado um "Raio da Morte" que poderia acabar com todas as guerras, mas os militares mantiveram-se céticos. Nos corredores silenciosos do Hotel New Yorker, o homem que outrora fora o favorito da alta sociedade era agora visto como um cientista louco, uma relíquia de uma era passada cuja mente se tinha aventurado demasiado nos domínios do impossível.
Nos seus últimos anos de profunda solidão, os únicos verdadeiros companheiros de Tesla foram os pombos de Nova Iorque. Afirmava ter um laço especial com uma pomba branca em particular, declarando que a amava "como um homem ama uma mulher". Quando, numa certa noite, ela voou para a sua janela e morreu nos seus braços, Tesla sentiu que a sua própria luz se apagara finalmente. O seu maior arrependimento não foi a falta de riqueza ou fama, mas a dolorosa constatação de que as suas ideias mais visionárias — aquelas destinadas a unir e libertar a humanidade — ficariam inacabadas, presas na mente de um homem que entregara tudo a um mundo que, no fim de contas, preferiu o lucro ao progresso. Morreu sozinho, deixando um legado que continua a alimentar as nossas vidas, mesmo que o próprio homem permaneça como uma sombra trágica e tremeluzente nos anais da história.
Nikola Tesla (1856–1943) foi um inventor, engenheiro eletrotécnico, engenheiro mecânico e futurista servo-americano, mundialmente reconhecido pelas suas contribuições para o design do moderno sistema de fornecimento elétrico de corrente alternada (CA).
Nasceu em Smiljan, no Império Austríaco.
Chegou a Nova Iorque com 4 cêntimos no bolso.
Iluminou a Feira Mundial de Chicago com CA.
Morreu sozinho no Quarto 3327.
Motor de CA: O motor que impulsiona o mundo moderno.
Bobina de Tesla: Eletricidade de corrente alternada de alta tensão, baixa corrente e alta frequência.
Medalha Edison: Atribuída por feitos meritórios na ciência elétrica.
As suas invenções dão energia às nossas casas, indústrias e comunicações. É o santo padroeiro da eletricidade moderna.
Morreu só, no Hotel New Yorker, a 7 de janeiro de 1943.
Sussurrando através do tempo